Parasita é o ápice criativo de Bong John-Hoo
O thriller como um comentário-sátira sobre o abismo social entre as classes
Notar o amadurecimento de Bong Jon-Hoo em Parasita é constatar que um cineasta pode, ao construir sua própria voz, chegar a uma obra de exceção, um filme fora da curva. Esse é o caso do brilhante longa do cineasta sul-coreano, que chega ao ápice de sua capacidade criativa e de sua realização formal. Parasita consegue algo muito raro: ele entretém, denuncia, deixa o espectador apreensivo e, como um bom triller, surpreende e engaja o espectador.
Faz tudo isso sem grandes concessões, pois foge ao velho maniqueísmo bom/mau, ou a um mero coitadismo na elaboração da representação das classes. Há uma complexa luta de sobrevivência entre os mais pobres que reagem ao seu meio de exploração e o trabalho mecanizado que os afeta. Nesse contexto, o capitalismo e a construção do abismo social são dissecados por meio de um humor ácido e crítico, sem deixar de lado a elaboração de uma trama envolvente.
A cenografia nos confina a esse bunker, essa casa subterrânea das personagens da família de Ki-Taek. Entre as senhas de wifi e as tragédias de inundações, há algo de incontrolável naquele ambiente. Na casa dos ricos, por outro lado, é tudo muito espaçoso: vê-se as personagens transitando entre as escadas e os quartos, além de um imenso jardim.
Os "fantasmas" que habitam a casa dos ricos não têm nada de sobrenaturais; são, sim, mais reais impossível, como produto de uma invisibilidade social. Por isso, é impressionante o que a cenografia consegue nos transmitir nesse constaste entre os mundos, um abismo que nem a quantidade de escadas presente no filme consegue separar.
Avaliação: Excelente

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